Justiça Federal arquiva inquérito contra brigadistas investigados por incêndios em Alter do Chão

Decisão atende a recomendação do MPF, que apontou falta de provas. Polícia Federal já havia concluído que não era possível indicar autoria dos incêndios.
Justiça Federal arquiva processo que investigava brigadistas por suspeita de atear fogo em APA no ParáFoto: Sílvia Vieira/g1

A Justiça Federal determinou o arquivamento do inquérito contra 4 brigadistas investigados pelos incêndios na Área de Proteção Ambiental de Alter do Chão, em 2019. A decisão acolheu integralmente a recomendação do Ministério Público Federal (MPF), que apontou a ausência de provas para sustentar as acusações contra os brigadistas e organizações não governamentais (ONGs) investigadas.

A decisão foi assinada no dia 4 de fevereiro de 2025 pelo juiz federal Felipe Gontijo Lopes, da 2ª Vara Federal Cível e Criminal de Santarém, no oeste do Pará.

Os incêndios, registrados entre 13 e 15 de setembro de 2019 na região conhecida como Capadócia, foram combatidos por uma força-tarefa que incluiu a Brigada de Incêndio de Alter, Corpo de Bombeiros, Exército, Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Defesa Civil.

No primeiro inquérito, que foi aberto pela Polícia Civil para apurar as causas dos incêndios, as investigações concluíram que quatro brigadistas teriam provocado os incêndios com o objetivo de arrecadar doações para a Brigada de Alter do Chão, resultando na prisão dos investigados por três dias na penitenciária de Santarém.

Na época, o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) devolveu o inquérito à Polícia Civil e pediu informações como coordenadas de GPS, registros de ligações telefônicas, entre outras. O inquérito da Polícia Civil acabou arquivado e o caso saiu da esfera comum e passou para a competência da Justiça Federal.

Bombeiros durante operação para conter incêndio dentro da APA Alter do Chão, em Santarém  — Foto: Kamila Andrade/G1
Bombeiros durante operação para conter incêndio dentro da APA Alter do Chão, em Santarém — Foto: Kamila Andrade/G1

No inquérito aberto pela Polícia Federal, as investigações concluíram que não foi possível indicar a possível autoria, motivo pelo qual a PF e a promotoria se manifestaram pelo arquivamento da investigação. O pedido da PF para arquivamento do inquérito foi feito em agosto de 2020.

De acordo com a decisão do juiz Felipe Gontijo, os investigados relataram que as investigações prejudicaram o trabalho deles, levando à perda de projetos e tiveram que se mudar de Alter do Chão por questões de segurança. Além disso, equipamentos pessoais, como computadores e discos rígidos, foram apreendidos e nunca devolvidos.

Para Beto Vasconcelos, advogado da rede de advogados que atuou na defesa dos brigadistas e das entidades investigadas, o arquivamento do caso representa uma importante vitória da justiça e da verdade sobre a violência e a desinformação. “É um alerta para o Brasil e para o mundo sobre o perigo do autoritarismo contra a sociedade civil e instituições públicas sérias”, disse.

O Projeto Saúde e Alegria, ONG que foi investigada no mesmo inquérito pelo fato de ter em seu quadro de colaboradores, naquela época, um dos brigadistas, se manifestou por meio de nota sobre a decisão judicial que arquivou o inquérito da PF.

“Já esperava, confiando na justiça do nosso país, e põe um final num processo de acusação injusta, sem provas, que tentou de forma arbitrária colocar a culpa pelas queimadas na Amazônia em quem estava exatamente lutando para combatê-la. Ou seja, queriam culpar os ativistas, os brigadistas e ONGS quem estava combatendo as queimadas, inclusive somando esforções com órgãos públicos da região”, diz a nota.

Operação Fogo do Sairé

As queimadas aconteceram entre 13 e 15 de setembro de 2019, na área conhecida como Capadócia, que é alvo de especulação imobiliária pela presença de igarapés (mananciais de água doce).

O incêndio foi contido em ação conjunta da Brigada de Incêndio de Alter do Chão, do Corpo de Bombeiros, do Exército, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e da Defesa Civil, entre outros órgãos.

A Polícia Civil também abriu um inquérito e concluiu que o incêndio havia sido provocado por quatro brigadistas que atuavam na região – o intuito seria arrecadar doações para a Brigada de Alter do Chão.

Fonte: g1 Santarém

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