MPF instaura apuração criminal sobre ataques a indígenas em protesto no Pará contra o marco temporal

Forças policiais foram solicitadas a fornecer informações sobre possíveis disparos e ameaças de atropelamento contra os Munduruku
Fotografia ilustrativa: Liar Bianchini/Cobertura Colaborativa/Apib (CC BY-SA 2.0)

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou apuração criminal, nesta segunda-feira (7), para investigar denúncias de que caminhoneiros estariam fazendo disparos de arma de fogo e ameaçando de atropelamento indígenas Munduruku que, desde o último dia 25, fazem bloqueios na rodovia BR-230, em Itaituba (PA). Os indígenas protestam contra a lei que instituiu o chamado marco temporal.

Como medida inicial da apuração, foi determinada a expedição de ofícios a forças policiais, solicitando informações sobre as denúncias, especialmente se foram coletados elementos informativos que apontem para a autoria e prova de ocorrência dos possíveis crimes. Os ofícios foram encaminhados à Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Federal (PF) e à Polícia Militar (PM) do estado do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup).

Demais dados – O MPF acompanha o protesto desde o início da mobilização na BR-230 e vai juntar, à apuração criminal, os dados já levantados durante a atuação na área cível. Dentre as medidas já adotadas pelo MPF, estão o acionamento das forças de segurança estaduais e federais para garantir o caráter pacífico da manifestação, além da adoção de outras providências cabíveis para apurar denúncias e garantir a proteção dos indígenas.

O MPF já acionou o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e a Secretaria de Estado de Igualdade Racial e Direitos Humanos do Pará, entidade à qual o Programa de Proteção de Defensores de Direitos Humanos está vinculado, para que acompanhem o quadro e seus desdobramentos. A mobilização inclui a participação de mulheres, gestantes, idosos e crianças indígenas.

Além disso, o órgão defende, na Justiça Federal, a necessidade de realização de diálogo interétnico e intercultural com os manifestantes indígenas, garantida a participação do MPF, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e da Defensoria Pública da União (DPU).

Notícia de Fato 1.23.002.000276/2025-84

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Ministério Público Federal no Pará / Assessoria de Comunicação

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