Acusado de matar artista plástico em Santarém vai a júri popular

Justiça rejeitou pedido da defesa para desclassificar o crime; Sandro Corrêa de Carvalho vai recorrer em liberdade. Apolinário Oliveira de Sousa morreu em dezembro de 2020, após ser baleado.

Sandro Corrêa de Carvalho, acusado do homicidio de artista plástico em 2020 — Foto: Divulgação

O acusado de matar o artista plástico Manoel Apolinário Oliveira de Sousa será julgado pelo Tribunal do Júri em Santarém, no oeste do Pará. A decisão foi tomada nesta quinta-feira (8) pelo juiz Gabriel Veloso de Araújo, da 3ª Vara Criminal do município, que aceitou a denúncia do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) contra Sandro Corrêa de Carvalho.

O réu responderá por homicídio qualificado por motivo fútil e pelo uso de recurso que teria dificultado a defesa da vítima. A Justiça também autorizou que ele recorra da decisão em liberdade. A data do julgamento ainda não foi marcada.

A defesa tentou evitar que Sandro fosse levado a júri popular. Os advogados alegaram que ele efetuou o disparo por acreditar que seria agredido e pediram que o caso fosse enquadrado como lesão corporal seguida de morte. O juiz, no entanto, rejeitou os argumentos e afirmou que cabe aos jurados decidir sobre a intenção de matar.

O crime ocorreu na noite de 15 de novembro de 2020, em frente a um hotel na Avenida Mendonça Furtado, no bairro Liberdade, em Santarém. Segundo o processo, Sandro e Manoel participavam de uma comemoração política quando tiveram um primeiro desentendimento motivado por comentários sobre um cachorro que estava com o acusado.

Pouco tempo depois, os dois voltaram a discutir na calçada do estabelecimento. Durante o desentendimento, Sandro teria sacado uma pistola calibre .380 e disparado contra o artista plástico, atingido na região abdominal.

Apolinário foi socorrido por amigos e passou por cirurgias. Ele recebeu alta médica alguns dias depois, mas precisou voltar ao hospital em razão de complicações pós-operatórias relacionadas a uma infecção no ferimento provocado pelo tiro. A vítima morreu em 1º de dezembro de 2020.

Sandro foi preso em 9 de janeiro de 2025, em Barueri, na Grande São Paulo, após permanecer mais de quatro anos foragido. A captura ocorreu durante uma operação conjunta do Núcleo de Apoio à Investigação de Santarém e da Polícia Civil de São Paulo. Antes de ser localizado, o nome dele chegou a integrar a lista de procurados da Interpol.

Em abril de 2026, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) revogou a prisão preventiva do acusado e autorizou sua saída da prisão, mediante o cumprimento de medidas cautelares.

Entre as restrições impostas estão o uso de tornozeleira eletrônica, o recolhimento domiciliar durante a noite e nos dias de folga, o comparecimento periódico à Justiça e a proibição de frequentar bares, festas e locais semelhantes. Ele também está proibido de possuir ou portar armas de fogo e de manter contato com testemunhas, informantes e familiares da vítima.

Em agosto de 2026, a Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo comunicou à Justiça uma ocorrência relacionada ao monitoramento eletrônico de Sandro. Conforme o registro, o sinal da tornozeleira indicou que, em 5 de agosto, ele poderia estar em um local e horário incompatíveis com as condições estabelecidas judicialmente.

Com a decisão de pronúncia, que determina que o acusado seja submetido ao Tribunal do Júri, o processo avança para uma nova fase. Após o cumprimento dos procedimentos previstos no Código de Processo Penal, será preparada a sessão de julgamento.

A data do júri popular ainda não foi definida.

Fonte: g1 Santarém

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