Central de Regulação das Urgências do Baixo Amazonas reforça atendimento de urgência e emergência na região

Unidade instalada em Santarém pelo Governo do Pará registra mais de 15 mil chamadas em três meses de funcionamento
Foto: Marcelo Lelis / Agência Pará

Desde o início de suas atividades, em julho deste ano, a Central de Regulação das Urgências (CRU) do Baixo Amazonas e Tapajós, localizada em Santarém, no oeste paraense, já recebeu 15.901 chamadas pelo número 192. Desse total, 9.348 foram classificadas como atendimentos produtivos, o que equivale a 59% das ligações registradas entre os dias 3 de julho e 20 de outubro. 

Implantada pelo Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), a central reforça o atendimento de urgência e emergência na região, garantindo orientação médica e encaminhamento adequado às solicitações da população.

O balanço aponta que as principais ocorrências registradas nesse período foram casos de mal-estar geral, acidentes de trânsito, outros tipos de trauma e surtos psicóticos. A central também contabilizou 6.553 chamadas relacionadas a enganos, orientações e trotes. Com funcionamento 24 horas por dia, o serviço recebe as solicitações pelo número 192, avalia a gravidade de cada situação e, quando necessário, aciona as equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) para prestar assistência aos pacientes.

Central de Regulação do Baixo Amazonas: demandas em crescimento
Central de Regulação do Baixo Amazonas: demandas em crescimento

Os dados consolidados de julho a setembro também mostram o crescimento da demanda pelo serviço. No primeiro mês de funcionamento, entre os dias 3 e 31 de julho, foram registrados 2.576 atendimentos. Em agosto, considerando os registros disponíveis até o dia 16, foram contabilizados 2.151 atendimentos. Já em setembro, o número chegou a 5.396, o maior volume mensal apresentado no levantamento. Somados, os três períodos representam 10.123 registros de atendimento na central.

Para o enfermeiro Christiano Lima, enfermeiro técnico da CRU Baixo Amazonas e Tapajós, a implantação do serviço representa uma mudança importante na organização da assistência à população. 

Antes, os atendimentos eram organizados de forma mais localizada, com limitações na integração dos serviços entre os municípios. Com a nova estrutura, as solicitações passaram a contar com uma regulação médica regionalizada, realizada diretamente pela central instalada em Santarém. 

“Na prática, a população passou a contar com um serviço que recebe as solicitações, realiza a avaliação inicial e orienta os solicitantes, com a atuação dos médicos reguladores na definição das condutas mais adequadas para cada situação, contribuindo para uma assistência mais organizada e segura”, explica Christiano Lima.

Atendimento regionalizado

Estruturada para atender 20 municípios das regiões do Baixo Amazonas e Tapajós, a central tem uma área de abrangência estimada em mais de um milhão de habitantes. O serviço permite que as chamadas realizadas pelo número 192 sejam recebidas por profissionais preparados para avaliar cada ocorrência, orientar a população e articular os recursos disponíveis na rede de saúde, conforme a necessidade do atendimento.

Central de Regulação do Baixo Amazonas
Central de Regulação do Baixo Amazonas

De acordo com o relatório consolidado de julho a setembro, Santarém concentrou a maior demanda, com 9.096 registros, o equivalente a 89,85% do total contabilizado no período. Na sequência aparecem Novo Progresso, com 364 atendimentos, e Itaituba, com 363. 
Oriximiná registrou 85 atendimentos, enquanto Aveiro contabilizou 54. Os números demonstram a importância de Santarém como principal polo regional de saúde e a utilização do serviço por moradores de diferentes municípios do oeste paraense.

A regulação médica também contribui para organizar o envio de ambulâncias e o encaminhamento dos pacientes, evitando deslocamentos desnecessários e permitindo que os recursos disponíveis sejam direcionados conforme a gravidade das ocorrências. 

A avaliação é feita por médicos reguladores, que definem as condutas a partir das informações repassadas durante as chamadas. Segundo Christiano, esse trabalho é fundamental para melhorar a organização da assistência e garantir que cada situação receba a atenção necessária.

“Esse processo permite avaliar a gravidade de cada ocorrência e direcionar a assistência conforme a necessidade do paciente e a disponibilidade dos serviços. Já existe um avanço importante na organização regional do serviço, com a ampliação do acesso à regulação médica pelo número 192”, destaca.

Para quem depende da rede pública de saúde, contar com uma estrutura preparada para atender situações de urgência representa mais segurança. A moradora de Santarém Daniela Cardoso, de 34 anos, realiza tratamento oncológico há um ano e três meses no Hospital Regional e considera essencial a disponibilidade de profissionais especializados, principalmente diante do crescimento da população e da demanda por assistência médica no município.

“Santarém está crescendo muito, tem muitas pessoas e o atendimento especializado é necessário e vital nesses momentos. É importante ter um atendimento ágil, porque isso salva vidas. E o mais importante é ter uma equipe especializada para cada caso, o que auxilia no tratamento, na sobrevida e no atendimento eficaz do paciente”, afirma Daniela.

A implantação da CRU do Baixo Amazonas e Tapajós também marcou uma nova etapa na descentralização do SAMU 192 no Pará, com a estruturação da regulação das urgências em todas as regiões do Estado. A central, primeira do serviço gerenciada pelo governo estadual, foi oficialmente entregue em setembro, juntamente com 24 novas ambulâncias do SAMU, resultado de uma parceria entre o Governo do Pará e o Ministério da Saúde, por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC).

Como funciona o serviço

Central de Regulação do Baixo Amazonas: atenção pelo 192
Central de Regulação do Baixo Amazonas: atenção pelo 192

O atendimento começa quando o cidadão liga gratuitamente para o número 192. A chamada é recebida por um técnico auxiliar de Regulação Médica. Ele registra informações como endereço, pontos de referência, identificação do paciente e descrição da ocorrência. Em seguida, a ligação é encaminhada a um médico regulador, responsável por avaliar a gravidade da situação e definir a conduta mais adequada.

Dependendo da ocorrência, o médico pode orientar o solicitante por telefone ou determinar o envio de uma ambulância do SAMU para realizar o atendimento no local. Quando necessário, o paciente é encaminhado a uma unidade de saúde, conforme a avaliação médica e a disponibilidade da rede assistencial.

O SAMU 192 deve ser acionado em situações de urgência e emergência, como acidentes de trânsito com vítimas, suspeitas de infarto ou acidente vascular cerebral (AVC), dificuldades respiratórias graves, crises convulsivas, queimaduras graves, afogamentos e outras situações que representem risco à vida.

Texto: Giullianne Dias / Ascom Sespa

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