“Cantario” leva música, memória e encantarias amazônicas à terceira noite do Festival Solos do Pará

A programação segue até quinta-feira (6), com oficinas, rodas de conversa e espetáculos gratuitos.
Foto: Divulgação

O espetáculo “Cantario”, do multiartista, cantor e professor paraense Thales Branche, emocionou o público na terceira noite do IV Festival Solos do Pará, realizada na segunda-feira (3), em Santarém, oeste do Pará. A apresentação aconteceu no Auditório Maestro Wilson Fonseca, no Campus Rondon da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), com entrada gratuita.

Misturando show musical, teatro e ritual, “Cantario” conduziu o público por uma viagem inspirada nas raízes tapajônicas. No palco, canções autorais, narrativas e sonoridades amazônicas deram vida a histórias marcadas pelas memórias familiares, pelos encantados e pelas paisagens da região do Tapajós. As músicas, compostas ao longo dos anos, falam de afeto, alegria e dor em uma apresentação que também incorpora dança e uma pesquisa vocal baseada na técnica Roy Hart.

A apresentação contou com tradução simultânea em Libras e audiodescrição, recursos que garantiram uma experiência mais acessível ao público.

Entre os espectadores estava Sabrina Kelly, pessoa com deficiência visual. Ela contou que a audiodescrição permitiu acompanhar cada detalhe do espetáculo.

“Estou muito feliz em ter participado da terceira noite do festival e falar da importância de ter a audiodescrição para nós, pessoas com deficiência visual, onde nós nos sentimos dentro do espetáculo. Isso é muito importante, não só para mim, mas para todas as pessoas que também gostam de prestigiar. Estou me sentindo muito feliz e contemplada com o festival.”

Ao comentar a apresentação, Sabrina resumiu o sentimento. “Gostei. Foi muito emocionante.”

O sociólogo Madson Lima também falou sobre a experiência de assistir ao espetáculo e à importância de iniciativas que aproximam a população da produção artística.

“O que a gente pode perceber com uma oportunidade como essa, de forma gratuita, é que nós nos confrontamos com novas linguagens, com novas expressões, com novas interpretações. A gente se depara com alguma coisa que nos toca profundamente, e isso é alguma coisa que a arte sabe fazer muito bem.”

Depois da apresentação, Thales Branche falou da emoção de levar “Cantario” ao palco do festival, especialmente por estar em uma região com a qual tem uma forte ligação.

“Foi incrível apresentar o ‘Cantario’ aqui no Festival Solos do Pará. É um festival histórico, realmente importante, e me sinto honrado de fazer parte dessa programação. Acho que ele cumpre uma missão urgente de fazer os trabalhos circularem, especialmente nesse lugar, no Tapajós. Minha família toda vem dessa região, então também sinto uma gratidão enorme por poder apresentar esse trabalho neste território.”

O artista também convidou o público para acompanhar a programação dos próximos dias. “ A programação está incrível. Tem muita gente interessante, rodas de conversa e oficinas. Vamos fazer esse movimento acontecer. A gente precisa trocar.”

Presente na terceira noite do festival, a secretária municipal de Cultura, Priscila Castro, ressaltou que a programação também cria oportunidades para discutir os processos criativos dos artistas e aproximar o público do teatro.

“A Prefeitura apoia o festival porque entende a importância desse trabalho para a formação cultural. Além dos espetáculos, ele promove diálogos sobre os processos criativos de quem constrói essas obras. Também fortalece a democratização da cultura, porque são apresentações gratuitas dentro de uma universidade pública. O Festival Solos do Pará ajuda a formar plateias. Santarém tem um público que gosta de teatro, e esperamos que esse festival tenha vida longa.”

A programação segue até quinta-feira (6), com oficinas, rodas de conversa e espetáculos gratuitos. O coordenador do festival, Elder Aguiar, reforçou o convite para as atividades desta terça-feira (4).

“Quero fazer um convite para todo mundo participar da programação. Às 16 horas teremos a desmontagem cênica do espetáculo ‘Adames’, com Danilo Bracchi, mostrando o processo de criação da obra. Às 20 horas, apresentamos ‘Armador’, de Nando Lima, no Auditório Maestro Wilson Fonseca. Todas as atividades são gratuitas, contam com tradução simultânea em Libras e, nas ações formativas, os participantes recebem certificado. Toda a comunidade está convidada.”

Até quinta-feira (6), o IV Festival Solos do Pará reúne espetáculos, oficinas e rodas de conversa no Campus Rondon da Ufopa, oferecendo ao público atividades gratuitas.

Da assessoria

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