Festival Cultural dos Territórios Ituqui e Maicá valoriza modos de vida das comunidades tradicionais em Santarém

Em sua primeira edição, festival reúne mais de 12 horas de programação gratuita com feira agroecológica, oficinas, apresentações culturais e atividades voltadas à defesa das águas e à soberania alimentar
Foto: Guilherme Jardel

No próximo sábado (15), Santarém (PA) recebe a primeira edição do Festival Cultural dos Territórios Ituqui e Maicá – “Onde as águas anunciam a vida e a diversidade faz resistência”. A programação acontece, a partir das 8h, na Associação de Moradores do Bairro Pérola do Maicá, e segue até às 23h, reunindo comunidades tradicionais, movimentos sociais e a população em um dia de
celebração, formação e mobilização em defesa dos territórios.

A programação é gratuita e aberta ao público. Ao longo do dia, serão realizadas feira da agricultura familiar, oficinas, almoço comunitário, atividades para crianças, apresentações culturais, apresentação das Misses das comunidades, bingo comunitário, celebração religiosa e shows musicais.

Promovido pela Frente em Defesa dos Territórios Ituqui e Maicá, articulação formada por movimentos sociais e organizações de base, o festival nasce para fortalecer os modos de vida de agricultores e agricultoras familiares, pescadores e pescadoras artesanais, agroextrativistas, povos quilombolas, indígenas e comunidades ribeirinhas que vivem da relação com os rios, a floresta e a
terra.

A proposta é que o festival seja realizado anualmente, de forma itinerante, em diferentes comunidades dos territórios Ituqui e Maicá. A iniciativa pretende fortalecer as organizações locais, valorizar os saberes tradicionais e ampliar a circulação da produção da agricultura familiar, além de criar espaços de encontro e diálogo entre as comunidades.

“O Festival é, antes de tudo, um projeto político dos movimentos sociais da região de Santarém para reafirmar as resistências e anunciar a diversidade que são os territórios do Ituqui e Maicá. Essas regiões têm convivido cotidianamente com o avanço de grande projetos, em especial o agronegócio, que não consideram as dinâmicas locais e violam direitos socioambientais. Por isso, o festival chega como uma oportunidade de dar visibilidade às potencialidades, mas principalmente fortalecer as organizações sociais e ser um chamado para que todas as pessoas possam se envolver em defesa do Maicá e Ituqui.”, afirma Yuri Rodrigues, organizador e educador popular da Fase Amazônia

Foto: Nilma Tapajó/Movimento Tapajós Vivo

Cultura, produção local e memória das comunidades

Com mais de 12 horas de programação gratuita, o festival reúne atividades para todas as idades e combina formação, economia solidária e manifestações culturais produzidas pelas própriascomunidades. A programação começa com um café regional e a Feira da Agricultura Familiar, um espaço para comercialização de alimentos agroecológicos, produtos da sociobiodiversidade, artesanato e iniciativas da economia comunitária. Pela manhã, também serão realizadas oficinas sobre Comunicação para o Turismo de Base Comunitária, produção de bioinseticidas e elaboração de projetos comunitários, fortalecendo conhecimentos voltados ao desenvolvimento sustentável dos territórios

Ao meio-dia, terá um almoço comunitário, preparado pelas comunidades e aberto à venda, seguido de
apresentações culturais que valorizam as tradições locais.

Durante a tarde, o festival promove oficinas de pintura artística, biojoias e cerâmica, além de atividades para crianças com contação de histórias, brincadeiras e ações culturais voltadas à valorização dos saberes tradicionais.

A programação segue até a noite com bingo comunitário, celebração religiosa da Igreja São Miguel, apresentações culturais das comunidades, apresentação das misses das comunidades e shows musicais com Batuque Santareno e a atrações direto das comunidades encerrando o festival em um momento de confraternização e celebração da diversidade cultural dos territórios.

Um reencontro entre Planalto e Várzea

Além de celebrar a cultura e a produção das comunidades, o festival também recupera uma memória de organização comunitária que marcou a região entre as décadas de 1990 e 2000. Naquele período, comunidades do Planalto e da Várzea se encontravam em feiras realizadas em Santana do Ituqui para comercializar e trocar produtos da agricultura familiar. Para Alciete Mendes, liderança da comunidade de Serra Grande do Ituqui, o festival representa uma oportunidade de retomar essa experiência de troca e organização comunitária entre diferentes regiões.

“Esse festival faz a gente relembrar o que tinha no passado e que deixamos de fazer. É importante para as pessoas conhecerem e verem que, dentro das nossas regiões e comunidades, existe produção da agricultura familiar e que queremos retomar aquela cultura de troca entre as comunidades. O que a gente não tem aqui no Planalto, a Várzea tem; e o que a Várzea não tem, nós temos aqui. Poder vender e trocar um com o outro é muito gratificante. É muito bom relembrar esse passado e fazer esse resgate da nossa cultura e das nossas comunidades”, afirma.

Foto: Nilma Tapajó/Movimento Tapajós Vivo

Segundo Alciete, a agricultura familiar continua sendo fundamental para a permanência das comunidades e para a alimentação da população de Santarém

“A gente planta, produz e vende para sobreviver. O que não temos aqui, compramos na cidade, mas a maior parte vem da nossa própria agricultura. Temos uma alimentação saudável, porque o nosso alimento é plantado e colhido por nós mesmos. Então, é muito importante relembrar nossos antepassados e resgatar essa cultura”, ressalta.

Para a liderança, dar visibilidade a essa produção e modos de vida também é uma forma de aproximar as comunidades da população de Santarém e do poder público, mostrando a diversidade dos territórios e a importância das atividades produzidas. A realização do festival também funciona como um chamado ao reconhecimento e à defesa desses territórios por todas as pessoas, tanto das comunidades quanto da cidade. de sua importância para o município.

A fala de Alciete ajuda a dimensionar o festival como uma iniciativa que busca reativar redes de troca, fortalecer a produção local, aproximar os territórios da cidade, reafirmar a importância e valorizar os modos de vida construídos nos territórios Ituqui e Maicá.

Cultura e defesa dos territórios

O Festival Cultural dos Territórios Ituqui e Maicá nasce em um contexto de intensificação das disputas territoriais na região. O avanço da monocultura de soja e milho, da mineração, do garimpo e da instalação de grandes empreendimentos logísticos e portuários pressionam as comunidades tradicionais e ameaçam os modos de vida tradicionais, comprometendo a qualidade das águas, a biodiversidade e a produção de alimentos. Entre as preocupações das comunidades estão a contaminação por mercúrio, a pulverização de agrotóxicos e a degradação dos sistemas alimentares locais.

Diante desse cenário, o festival afirma a cultura, a agroecologia, a comunicação popular e a organização comunitária como formas de resistência e fortalecimento dos territórios. A iniciativa também busca dar visibilidade às alternativas construídas pelas próprias comunidades para fortalecer a soberania alimentar, proteger as águas e garantir a permanência de seus modos de vida.

Ao reunir diferentes comunidades em torno da cultura, da produção de alimentos e da defesa dos territórios, o Festival Cultural dos Territórios Ituqui e Maicá busca se consolidar como um espaço permanente de encontro, mobilização e valorização das identidades locais.


Serviço
Festival Cultural dos Territórios Ituqui e Maicá – “Onde as águas anunciam a vida e a diversidade faz resistência”
Data: 15 de agosto (sábado)
Horário: 8h às 23h
Local: Associação de Moradores do Bairro Pérola do Maicá – Santarém (PA)
Entrada: gratuita e aberta ao público
Para participar das oficinas é necessária inscrição no link: https://forms.gle/tGFsCwL5UnLM1yBk6
(vagas limitadas)


Programação :
8h às 12h

Café regional e Feira da Agricultura Familiar;
Abertura oficial;
Oficinas:

  • Comunicação para o Turismo de Base Comunitária;
  • Produção de bioinseticidas;
  • Elaboração de projetos comunitários

12h
Almoço comunitário;
Apresentações culturais.

14h às 17h
Oficinas de pintura artística, biojoias e cerâmica;
Contação de histórias e brincadeiras para crianças.

17h30 às 23h
Bingo comunitário;
Celebração da Igreja São Miguel;
Apresentações culturais;
Apresentação das Misses;
Shows com Batuque Santareno e atrações das comunidades.

Assessoria de Imprensa: Lanna Paula Ramos (91) 98922-7768

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