Opinião: quantos políticos cabem debaixo do chapéu de um vereador vereador inepto?

Jornalista opina sobre parecer da Comissão Processante (CP), que propôs o arquivamento da denuncia contra o vereador Malaquias Mottin por suposto decoro parlamentar
Charge de Zé Américo – Cor: Latoya Batista/IA

“Toda unanimidade é burra”, já dizia o carioca Nélson Rodrigues (1912-1980), criador de personagens da dramaturgia nacional que revolucionaram os palcos e destrincharam a hipocrisia e mediocridade de uma sociedade brasileira que se imaginava perfeita e, em plena ascensão, no mundo moderno.

A frase dele ainda ecoa nestes tempos e tem seus reflexos na política de Santarém deste início de milênio, assim como a hipocrisia da sociedade que elege a cada ano a pior de suas representações no legislativo mirim. Mas já é quase unânime entre os santarenos que a grande maioria dos 23 vereadores, eleitos em 2024, é da pior qualidade de nossa história! E um deles, é a síntese dessa alcateia ao desfilar com seu ridículo chapéu na cabeça onde, provavelmente, cabem todos os outros. Poderia ser até um personagem rodrigueano, que se esconde por trás de uma moral questionável e fascistóide, e usa seu mandato popular como escudo para vomitar sua coleção de impropérios da tribuna mais desprestigiada de nossos tempos.

O comerciante gaúcho Malaquias José Mottin, que completou 61 anos em 09/04 e ganhou de presente mais um arquivamento de denúncia de seus pares esta semana, se tornou figura folclórica que – espertamente – atrai os holofotes para si usando a tribuna do Poder Legislativo para escarrar sandices à custa da verba pública que custeia seu mandato. Em entrevista recente a um podcast local, Mottin deixou claro essa vocação de “marqueteiro de si mesmo”, admitindo que foi o modo que encontrou de ser visto e ouvido (além de aproveitar o programa para divulgar os produtos de sua empresa)

Apesar de atuar no ramo da reciclagem há quase 15 anos, o vereador do chapéu só não aprendeu a reciclar sua “cara de pau”, já carcomida pelos cupins da mediocridade política em 17 meses de atuação, como vereador, do Partido Liberal, eleito no rastro da popularidade de outro vereador tão inepto quanto ele (JK do Povão) que tentou ser prefeito da cidade. Em pouco tempo de mandato, Mottin já coleciona um enxame verborrágico de fazer corar qualquer um dos personagens rodrigueanos desbocados das tramas do “Anjo Pornográfico”, covardemente protegido pelo manto da “liberdade de expressão e imunidade parlamentar” que usufrui, sem respeitar minorias e nem conceitos básicos de defesa ao meio ambiente local.

Ele já confessou que pagou propina para agentes do Ibama, pregou a derrubada de mangueiras do centro da cidade, jogou seu carro sobre manifestantes indígenas, e chamou policiais que apreenderam seu celular com mandado judicial, de ladrões! Não satisfeito cuspiu na cara da sociedade santarena ao propor um sacrilégio para a tradição cultural tapajoara, ao defender um novo hino para o município simplesmente por não compreender o que diz a letra do escritor santareno Paulo Rodrigues dos Santos! Inepto e burro, como todo fascista o é!

Sob seu chapéu, a maioria de seus 22 colegas de mandato se escondem e fazem de tudo para não cassar seu mandato. Na frente de indígenas, votaram pela abertura do processo e ganharam aplausos, mas desde aquele dia (10/02), os atropelos do processo indicam que uma grande pizza “mottiniana” vinha sendo cozinhada no colo dos vereadores, presididos pelo desgastado presidente Jandeilson Pereira, que viu os outros membros da alcateia liderados por seu vice, Gerlande Castro, aprovando recentemente e de forma golpista um infame aumento de verbas para diárias, que felizmente não foi confirmada em seguida.

A Câmara Municipal de Santarém já tem a parte principal de seu prédio muito parecida, se vista de cima, com a copa do chapéu de seu vereador gaúcho, que é o símbolo do que guarda em sua cabeça putrefata. Mas Malaquias Mottin, ainda por cima é um cínico. Na mesma entrevista já citada, chegou a desplante de dizer que “está decepcionado com a política”, deixando no ar a mesma sanha golpista de outro político doidivanas do passado, o ex-presidente Jânio Quadros, que renunciou alegando existirem forçar ocultas que o pressionavam, com o intuito de ter apoio popular, o que não aconteceu.

A Câmara de vereadores ineptos como Gerlande (que antes de ser eleito relator da comissão processante de Malaquias, já vociferava que o inocentaria) acabou arquivando o processo contra seu vereador mais improdutivo e indigesto. Talvez seja mais fácil imaginar um final menos rodrigueano e mais machadiano para essa comédia que se tornou a Câmara Municipal: Malaquias, como o personagem de Machado de Assis (1839-1908), Dr. Simão Bacamarte de O Alienista que após encarcerar quase toda uma cidade por diagnosticar demência coletiva, também se trancafiou como o pior dos alienados num hospício. Ou seja, é mais fácil Malaquias renunciar ao mandato do que seus colegas covardes o cassarem um dia…

Texto: JOTA NINOS
Charge: ZÉ AMÉRICO
IA colorido: LATOYA BATISTA

Outros segmentos como Sindufopa e o partido PCdoB manifestaram indignação por meio de nota.

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