Obra restaurada pelo artista plástico José Roberto Aguilar celebrou a memória e a cultura da comunidade local em ato simbólico que reuniu moradores e visitantes.

A Praça Borari, localizada no Terminal Fluvial Turístico, em Alter do Chão, foi palco, neste sábado (9), da reinauguração do Barco Voador, escultura-instalação que completa uma década desde sua primeira instalação. O evento ocorreu durante a Noite de Integração, realizada pela associação Iwipurãga da Aldeia Povo Borari de Alter do Chão, que reuniu moradores e turistas em uma celebração da cultura local. Restaurada pelo artista plástico santareno José Roberto Aguilar, a obra homenageia a história, as tradições e as memórias da comunidade.
Em 2013, Aguilar encontrou o antigo barco denominado SOUSA, abandonado na praia do Cajueiro, e percebeu seu potencial como símbolo vivo da cultura regional. “Quando vi aquele barco, abandonado na praia do Cajueiro, senti que não podia deixar que aquela história se perdesse para sempre. Aquele barco é mais que madeira e tinta, é guardião das memórias do nosso povo, das jornadas de pescaria, dos encontros e do sustento de muitas famílias”, lembrou o artista.
A primeira transformação do barco em escultura ocorreu em 2015, quando Aguilar pintou nomes e símbolos representativos dos antigos moradores da vila, transformando o Barco Voador em um verdadeiro memorial flutuante. Com o passar dos anos e a ação do tempo, a obra sofreu desgaste natural, o que motivou o artista a iniciar um processo de restauração para preservar e revitalizar o monumento.

A programação cultural da Noite de Integração que acompanhou a reinauguração contou com apresentações do grupo de carimbó Pindaúna, a participação dos botos Tucuxi e Cor de Rosa, personagens principais do Sairé, além das comidas típicas da região, enriquecendo ainda mais a celebração. Um dos momentos mais emocionantes foi a apresentação do Mestre Chico Malta, que homenageou a obra com sua canção “Barco Voador”, reforçando a identidade cultural da comunidade.
José Roberto Aguilar, natural de Santarém e atualmente residente em São Paulo, é reconhecido por sua arte que dialoga profundamente com a cultura e a história amazônica. Em sua obra, ele combina técnicas tradicionais e contemporâneas, valorizando materiais locais e narrativas da região. No Barco Voador, a estrutura original do casco foi mantida, mas ganhou vida nova com cores vibrantes, tons de azul, amarelo, vermelho e verde, que remetem à exuberância da floresta e do rio. Aguilar fez questão de retornar à vila para revitalizar a obra. Os detalhes pintados à mão reforçam a conexão do povo com a natureza e suas raízes ancestrais.
Carlos Alexandre, administrador da empresa portuária Rio Tapajós, responsável pela gestão do Terminal Fluvial, destacou o compromisso da empresa com o patrimônio cultural. “Na Rio Tapajós, nosso compromisso vai além da logística: é conectar caminhos e movimentar histórias. Apoiar a reinauguração do Barco Voador aqui na Praça Borari reafirma nosso propósito de valorizar o patrimônio cultural e fortalecer a identidade única de Alter do Chão”, enfatizou.
A cerimônia reuniu moradores da vila balneária, turistas e autoridades locais, que celebraram o resgate da memória e a valorização da cultura regional. Mais que um marco artístico, a reinauguração do Barco Voador simboliza a força de Alter do Chão em preservar sua história, reafirmar suas tradições e fortalecer o sentimento de pertencimento, garantindo que a memória coletiva siga viva e inspiradora para as futuras gerações.
Colaborou: Natashia Santana/Assessoria
