Durante o evento, estudantes indígenas protestaram contra falas de docente consideradas racistas. Evento encerra neste sábado

Na manhã da quinta-feira, 3 de julho, foi aberto no auditório Tapajós o I Seminário de Educação Escolar Indígena do Oeste do Pará, promovido pela Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). O evento ocorre em parceria com a Fundação de Integração Amazônica (Fiam) e a Secretaria Municipal de Educação de Santarém (Semed).
A programação segue até este sábado, 5 de julho, com palestras, mesas-redondas, conferências e rodas de conversa que abordam temas como a transmissão de saberes ancestrais, os desafios da contemporaneidade, as resistências no âmbito da educação escolar indígena e os avanços e desafios específicos da educação indígena no Oeste do Pará. Participam professores da educação escolar indígena de diferentes municípios da região. O encerramento do seminário ocorrerá com uma visita à Aldeia Borari, em Alter do Chão, para um momento de diálogo com lideranças indígenas locais.
A reitora da Ufopa, Aldenize Xavier, enfatizou a importância do seminário para discutir os desafios da educação escolar indígena no âmbito da educação básica. Ela pontuou que as dificuldades enfrentadas pelas comunidades indígenas incluem a formação de professores, o acesso limitado às escolas e a inexistência de unidades escolares em diversos territórios indígenas.
As discussões do seminário integram um debate nacional coordenado pelo Conselho Nacional Indígena, que aborda modelos de governança para os territórios étnico-educacionais. A Ufopa é membro do conselho e representa a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).

Manifestação: Durante o evento, estudantes indígenas fizeram uma manifestação em repúdio à postura de um docente da instituição, acusado de proferir falas consideradas racistas durante aula do curso de Licenciatura Intercultural Indígena, na última terça-feira, primeiro de julho.
A coordenadora do Diretório Acadêmico Indígena (Dain), Simone Martins Arapium, destacou a importância da resistência dos povos originários dentro da universidade. “Hoje, com todos os estudantes que estão aqui, com as lideranças que estão nos apoiando, nós queremos mostrar para a sociedade que nós vamos resistir. Que por toda essa luta que vem de muitos e muitos anos pelo Diretório Acadêmico Indígena, por outras pessoas que já passaram pela Ufopa e que sofreram, que isso [situações de racismo] não volte a se repetir, porque nós não vamos nos calar”, afirmou a estudante.
A reitora da Ufopa, Aldenize Xavier, manifestou-se publicamente sobre o caso e reafirmou o compromisso da instituição no combate ao racismo. “A Ufopa não admite violência e não admite crime, e racismo é crime. Nós vamos combater fortemente qualquer ato de violência que ocorra dentro da nossa instituição. Neste momento, demos andamento ao processo administrativo para apuração do caso, em que será garantido às partes o direito à ampla defesa e ao contraditório. A comissão vai apurar e fazer levantar, por meio de análise de todos os envolvidos, para, a partir daí, enviar o processo para a nossa apreciação final”, destacou.
Sobre o caso, a Reitoria da Ufopa divulgou nota de esclarecimento, na terça-feira, logo após tomar conhecimento do caso.
Acesse a Nota de Esclarecimento (aqui).

Ascom/Ufopa
